Eu escuto, tu escutas, eles escutam…

13 11 2008

Projeto de lei que pune vazamento de grampos dá margem a interpretações que cerceiam a liberdade de imprensa e gera desconfiança entre os setoristas de política do país

“Vou te emprestar em confiança, em off”, disse Antônio Carlos Magalhães ao repórter Luiz Cláudio Cunha, num encontro reservado no gabinete do senador em março de 2003. Em seguida entregou ao jornalista um calhamaço de aproximadamente 800 páginas com transcrições de grampos ilegais. À época, Luiz Cláudio era editor de política da revista IstoÉ da sucursal de Brasília. Antes mesmo de o repórter dizer qualquer coisa, ACM disparou: “Isso [as transcrições] é uma ilegalidade”. A Constituição Federal determina que escutas telefônicas só sejam feitas com autorização judicial.

Feita sob encomenda do próprio senador – morto em julho de 2007 – por funcionários da secretaria estadual de Segurança Pública da Bahia, a operação criminosa grampeou os telefones de 232 pessoas em cinco estados e durante 15 meses – de novembro de 2001 a fevereiro de 2003. Entre os grampeados, estavam o ex-deputado e hoje ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, o ex-deputado Benito Gama, desafetos, inimigos, ex-aliados e até uma examante do político baiano. Ao passar o conteúdo das transcrições para o jornalista, o senador pensou que este iria usá-lo para fulminar seus inimigos. Ledo engano. O repórter não apenas frustrou o plano de ACM, como também divulgou o crime que ele havia cometido.





Linha cruzada

13 11 2008

Entrevistas com um seqüestrador armado e instável, com reféns sob seu poder, foi o ápice da cobertura equivocada da mídia no caso de Santo André, na qual prevaleceu um vale-tudo na busca pela audiência

De tempos em tempos, a cobertura de alguns casos pela imprensa gera comoção e causa questionamentos. Não há quem não tenha ouvido falar nas lições aprendidas com o fatídico caso “Escola Base” ou quem não tenha se perguntado o motivo de tanto interesse da mídia pelo assassinato de Isabela Nardoni, quando crimes semelhantes acontecem aos milhares por ano no Brasil.

É fato concreto que a disputa das emissoras pela preferência do telespectador está cada vez mais evidente. Neste contexto, a cobertura de um caso popular pode fazer toda a diferença e levar os veículos de comunicação, sobretudo as emissoras de TV, a atitudes antes impensadas para o Jornalismo. Quem poderia imaginar, anos atrás, que um seqüestrador seria entrevistado ao vivo, direto do cativeiro, de arma em punho, por um programa de TV destinado às donas de casa?

Sim, aconteceu e há quem diga que tais atitudes contribuíram para o excesso de confiança do seqüestrador e o desfecho trágico de um caso que poderia ser tão-somente uma crise entre um casal de namorados.





Olha o Aviãozinho!

13 11 2008

A recuperação da audiência no SBT na luta pela vice-liderança reforça o carisma pessoal de Silvio Santos e estimula debate sobre concorrência em tv aberta e sucessão na emissora

A sala de Silvio Santos, no 1º andar da sede da emissora, na via Anhanguera em São Paulo, está quase sempre vazia. Há muitas lendas sobre o recinto. Dizem que, em um compartimento escondido, Silvio Santos mantém dezenas de aparelhos de televisão, sintonizados cada um em uma emissora diferente e que parte de seu dia é ocupado por ele a assistir simultaneamente a diversos programas televisivos. Afirmam também que o ambiente tem o tamanho de um bom apartamento, o que é bastante provável.

Quando um jornalista, um profissional do mercado publicitário ou um artista deseja ostentar status, afirma ter conversado com Silvio Santos em sua sala, o que é bastante improvável. A sala de Silvio Santos é um mundo de solidão. Nem ele mesmo freqüenta aquele espaço. Na sala de Silvio Santos, só há espaço para um homem, Senor Abravanel. Enquanto poucos conhecem Senor Abravanel, todos reconhecem Silvio Santos. Essa polaridade também resiste no mundo dos negócios.

Sendo Santos, Abravanel é, sem dúvida, um dos mais geniais homens de comunicação do país. Sendo Abravanel, Santos é um controverso empresário, alvo de questionamentos administrativos por especialistas em mercado e estigmatizado por mitos e preconceitos nem sempre verdadeiros, alimentados, essencialmente, pela imagem consolidada do próprio mito, que se esquiva de muita gente e, em especial, de jornalistas.





Acusada de satanismo, Xuxa entra na Justiça contra a Folha Universal, diz colunista

13 11 2008
Divulgação
A apresentadora Xuxa

Xuxa entrou na Justiça contra a Folha Universal, o jornal da Igreja Universal, devido a uma reportagem que noticiou um possível pacto satanista da apresentadora, informou a colunista Mônica Bergamo, nesta segunda-feira (10), em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com Bergamo, Xuxa pedirá uma indenização de R$ 3 mi e exigirá uma retratação dizendo que ela “respeita todas as religiões, tem fé e amor a Deus e toda a sua vida foi voltada para fazer o bem a exemplo do trabalho que desenvolve na fundação que leva seu nome”. A Folha Universal afirmou que não foi notificada.